Junto Seguros alcança 90% de automação em análises de crédito e reduz tempo de modernização de sistemas legados pela metade
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Guilherme B. Abude - 24 de setembro de 2026 TI Inside Online

Na Conferência Gartner CIO & IT Executive 2026, Karine Chaves, Diretora Executiva de Tecnologia e Inovação da Junto Seguros, detalhou a integração estratégica de IA na companhia, focada em estabelecer cultura, governança robusta, elevados padrões de segurança e um "centro de excelência".
A executiva destaca que, para uma transformação digital de sucesso, é imprescindível balancear pessoas com modelos tradicionais de data e GenAI. Logo, aponta que a Junto buscou equilibrar a aceitação de risco versus precificação competitiva, a busca por agilidade nas cotações, mantendo a qualidade técnica, e o aproveitamento da automação por IA Generativa, com controle do risco de alucinações.
Chaves pontua que a chave para realizar tal transformação só foi possível uma vez que a Junto entendeu que os dados seriam "fundamentais". O processo contou com a construção de um Data Lake e um Centro de Excelência de Dados e IA (COE) para acelerar a capacitação interna.
"É preciso de dados tanto para poder trabalhar nos modelos de IA, para avaliar crédito e risco, quanto para poder alimentar o meu comitê executivo em relação a decisões. Foi fundamental, ao longo dessa jornada, estruturar um data lake, criar o COE, reorganizar o chip, pensando em quem ia atuar focado nos dados, quem ia atuar nos modelos e na inteligência artificial", explica.
O framework, de acordo com a diretora, é estruturado em cinco pilares divididos em em iniciativas corporativas, focado na eficiência interna, e disruptivas, focado no mercado e cliente: letramento, cultura, capacitação, governança e segurança. Para a capacitação, a executiva destaca o tripé de pessoas, processos e ferramentas, a construção de um mapa de competência e a assinatura obrigatória de políticas de uso consciente e ética para gerar valor do "human on the loop" e dos FinOps.
"A gente entendeu que o mundo estaria passando por uma grande transformação e um treinamento específico, em uma LLM qualquer, não seria o diferencial e não seria o suficiente. Então, nós construímos toda uma estrutura com políticas, com regras, com capacitação por áreas de negócio, por times, com especificidade, ou seja, o time de tecnologia seria treinado de uma forma diferente das áreas de negócio, porque entendemos que o time de tecnologia poderia apoiar e avançar nessa evolução junto com as áreas de negócio", justifica.
Ainda, Chaves enfatiza que as estratégias de gestão orientada a valor e divisão em iniciativas foram cruciais para gerar produtividade e eficiência operacional. "Nós desenvolvemos uma lean inception no ano passado, esse ano fizemos outra, no qual a gente coloca toda a liderança da empresa para poder sugerir ideias e faz um processo de ideação mesmo, disso nascem as oportunidades que a gente avalia, alinha com o plano estratégico e só então começa o processo de desenvolvimento. Então, há dois anos nós fazemos isso para poder buscar oportunidades e a gente sabe que vai mudar o poder da organização. Porque senão não faz sentido investir."
Chaves, também, enfatiza os resultados positivos do ecossistema de agentes de IA da Junto, Llobo. A plataforma é focada na na extração e pré-análise automatizada de contratos, DREs e balanços para crédito e subscrição de risco. Entre os resultados, a executiva destaca: 90% das análises de crédito automatizadas e redução de 10 pontos percentuais nas negativas de crédito; Mais de 60% do código da empresa gerado por agentes de IA e redução de 50% no tempo de modernização de sistemas legados; e o impacto direto na geração de mais de 13 milhões de reais em prêmios e centenas de milhões em importância segurada.
Por fim, Chaves afirma que a transformação digital precisa ser impulsionada pela liderança de forma hands-on, que a TI não deve caminhar isolada, aproximando-a das áreas de negócio é fundamental para acelerar resultados, e que IA Generativa e IA Clássica funcionam melhor em um modelo híbrido e complementar.
"É uma jornada que todo dia há aprendizado e traz ensinamentos e trocas dentro da própria organização. Então, a primeira coisa é a transformação de DNA. Ela é cultural e precisa ser capacitada e não adianta só você delegar para o time. Um outro ponto é que a gente trouxe aprendizado próximo ao negócio. Foi natural que os times de tecnologia começassem a se envolver, a se capacitar e sair fazendo as coisas junto à área de negócios. Só então a gente conseguiu se mover mais rápido dentro da organização. Só a tecnologia sozinha, andando à frente, largando a área de negócio, não funcionou. Esse foi um dos maiores aprendizados que a gente teve", conclui.
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